Creme de Milho Verde com Manjericão

Sopa cremosa de milho verde, aveludada e sedosa, feita com caldo dos próprios sabugos, um toque de leite e creme de leite e manjericão fresco batido no final para ficar bem verdinha e perfumada. Uma sopa-creme de milho fácil, boa para o jantar, para a entrada de um almoço especial e para a temporada de Festa Junina.

Sopa cremosa de milho verde, aveludada e sedosa, feita com caldo dos próprios sabugos, um toque de leite e creme de leite e manjericão fresco batido no…

Preparo
25 min
Cozimento
45 min
Tempo total
1 h 10 min
Rendimento
6 porções
Foto de creme de Milho Verde com Manjericão pronto para servir

Existe uma cor que só o milho verde novinho tem, um amarelo-manteiga vivo e leitoso, e é essa cor que aparece na panela quando o creme está pronto. O aroma é de milho cozido na hora, adocicado e quente, como aquele que sai da barraca de festa junina. Quando o manjericão entra, o perfume muda de figura: fica fresco, herbal, quase de jardim. A textura é o melhor da história, porque o creme desce liso, sedoso, sem nenhum pedacinho de casca, deixando na boca só a doçura suave do milho e um fundo levemente salgado. Um fio de azeite por cima brilha no prato fundo, e a primeira colherada morna aquece até o dia mais cinzento.

Vale deixar claro que aqui falamos de sopa, e não daquele creme de milho de forno que vai como acompanhamento. Esta é uma sopa-creme de colher, leve o bastante para o jantar de uma noite fria e elegante o bastante para abrir um almoço de domingo ou uma ceia. Ela combina com o mês de junho, quando o milho verde está barato e doce nas feiras, mas funciona o ano todo com milho congelado ou de lata. O caldo dos sabugos é o segredo econômico: em vez de jogar fora, você extrai um sabor profundo de milho que nenhum tablete consegue imitar, e ainda ganha uma sopa muito mais saborosa sem gastar nada a mais.

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Lembro de sentar na varanda da minha avó, em pleno junho, com uma bacia no colo, debulhando espiga atrás de espiga enquanto ela mexia a panela grande no fogão a lenha. Nada era desperdiçado, e os sabugos viravam um caldo dourado que ela chamava de ouro de pobre. Anos depois, em um jantar em que precisei de uma entrada chique com o que tinha em casa, misturei esse caldo com um punhado de manjericão do vaso da janela. A sopa sumiu das panelas, os convidados pediram a receita, e desde então ela é minha carta na manga para qualquer ocasião. Hoje, sempre que sinto esse cheiro de milho cozinhando, volto direto para aquela varanda, com as mãos grudadas de leite de milho e o coração tranquilo.

RECEITA

Creme de Milho Verde com Manjericão

Preparo:25 minCozimento:45 minTempo total:1 h 10 minRendimento:6 porçõesCalorias:~240 kcal por porçãoCulinária:Brasileira

Ingredientes

Caldo dos sabugos

Creme

Manjericão

Finalização

Modo de preparo

  1. Debulhe o milho e guarde os sabugos

    Retire as palhas e os cabelinhos das espigas e lave bem. Apoie cada espiga em pé dentro de uma tigela larga e, com uma faca afiada, corte rente ao sabugo em movimentos de cima para baixo, girando a espiga a cada corte. Depois, passe o dorso da faca por todo o sabugo, raspando para baixo: esse leitinho branco que sai é puro sabor e vai para a tigela junto com os grãos. Reserve os sabugos, que vão virar caldo, e separe 1/2 xícara de grãos para o final.

  2. Faça o caldo com os sabugos

    Quebre os sabugos ao meio para caberem na panela e coloque em uma panela média com a água, o tablete de caldo de legumes e o louro. Leve ao fogo alto até ferver, depois abaixe para médio-baixo, tampe parcialmente e deixe cozinhar por 25 minutos. O caldo vai ficar levemente turvo e amarelado, com cheiro doce de milho. Retire os sabugos com uma pinça, descarte o louro e reserve o caldo quente. Você deve ter cerca de 1 litro.

  3. Refogue a cebola e o alho

    Em uma panela grande de fundo grosso, aqueça o azeite em fogo médio. Junte a cebola com uma pitada de sal e refogue por 5 a 6 minutos, mexendo, até ficar macia e translúcida, sem pegar cor. Acrescente o alho e mexa por 30 segundos, só até perfumar. Se dourar, o creme perde a cor clara e ganha um gosto tostado que atrapalha o sabor delicado do milho, então abaixe o fogo se for preciso.

  4. Junte o milho e a batata

    Coloque na panela os grãos de milho, exceto a xícara reservada, a batata em cubos e o sal. Mexa bem e refogue por 3 minutos, até os grãos ficarem brilhantes e a cebola envolver tudo. A batata é a nossa aliada: o amido dela dá corpo e cremosidade e permite usar menos creme de leite. Não pule essa etapa de refogar, porque é ela que concentra o doce do milho antes de entrar o líquido.

  5. Cozinhe no caldo

    Despeje o caldo quente dos sabugos sobre os legumes até cobrir tudo, cerca de 1 litro. Espere levantar fervura, reduza o fogo para médio-baixo, tampe parcialmente e cozinhe por 20 minutos, mexendo de vez em quando. Os grãos de milho devem ficar bem macios, quase se desmanchando entre os dedos, e a batata deve ceder ao garfo sem resistência. Se o milho estiver pouco cozido, o creme sai granulado no final.

  6. Doure os grãos da finalização

    Enquanto a sopa cozinha, aqueça 1 colher de sopa de azeite em uma frigideira pequena em fogo médio-alto. Coloque a 1/2 xícara de milho reservada e deixe por 3 a 4 minutos, mexendo pouco, até estalarem e ganharem pontinhos dourados. Salgue levemente e reserve. Esses grãos crocantes por cima do creme liso criam um contraste de textura que deixa o prato com cara de restaurante.

  7. Bata a sopa no liquidificador

    Desligue o fogo e deixe a sopa descansar por 5 minutos. Bata em lotes, enchendo o copo até no máximo a metade, porque líquido quente se expande. Deixe a tampinha central aberta e cubra com um pano dobrado para o vapor sair sem espirrar. Bata por 2 minutos em velocidade alta, até ficar bem lisa. Se preferir, use o mixer direto na panela, mas o liquidificador deixa a textura mais fina.

  8. Coe para ficar aveludada

    Apoie uma peneira fina sobre uma panela limpa e despeje o creme batido, empurrando com o fundo de uma concha em movimentos circulares. Sobra na peneira uma pasta espessa, feita das casquinhas dos grãos, e é ela que faz a diferença entre um creme rústico e um creme de seda. Raspe o fundo da peneira por fora, porque ali fica muito creme grudado, e descarte apenas o que restar dentro.

  9. Acrescente o leite e o creme de leite

    Leve a panela ao fogo baixo, junte o leite e o creme de leite e mexa devagar até ficar homogêneo e bem quente, com vapor subindo, por cerca de 5 minutos. Não deixe ferver, porque fervura forte com laticínios pode talhar e ressecar o creme. Prove e acerte o sal e a pimenta. Se estiver grosso demais, afine com uma concha de água quente; se estiver ralo, deixe mais 3 minutos em fogo baixo.

  10. Bata o manjericão com uma concha de sopa

    Coloque no liquidificador limpo as folhas de manjericão e uma concha da sopa quente e bata por 30 a 40 segundos, até obter um creme verde-vivo, sem pedacinhos. Desligue o fogo da panela e misture esse purê ao restante da sopa, mexendo até a cor ficar uniforme, num verde suave e cremoso. O manjericão nunca ferve, e é assim que ele mantém a cor e o perfume fresco até a hora de servir.

  11. Sirva bem quente

    Distribua o creme em pratos fundos ou canecas aquecidas. Coloque no centro uma colherada do milho dourado, algumas folhinhas pequenas de manjericão e um fio de azeite extravirgem, que desenha círculos brilhantes na superfície. Sirva na hora, com torradinhas ao lado. Se for preciso esperar, mantenha a panela tampada em fogo bem baixo, sem ferver, mexendo de vez em quando.

Substituições e variações

  • Se não for época de milho fresco, use 700 g de milho congelado ou 3 latas de 170 g bem escorridas e enxaguadas; nesse caso, faça o caldo apenas com água e o tablete, sem os sabugos, e cozinhe 10 minutos a menos.
  • Para uma versão mais leve, troque o creme de leite por mais 1/2 xícara de leite ou por leite de coco sem açúcar, que deixa a sopa ainda mais aveludada e com um leve toque tropical.
  • Sem manjericão, o creme também fica lindo com cebolinha e salsinha em partes iguais, ou com coentro fresco, se você gosta de um verde mais marcante.
  • Para uma opção sem lactose, use leite sem lactose e azeite no lugar do creme de leite, e acrescente 1 colher de sopa a mais de azeite ao bater para garantir a cremosidade.
  • Se quiser um jantar mais encorpado, junte uma fatia de bacon crocante esfarelada por cima ou cubinhos de queijo minas padrão na hora de servir.

Dicas da Chloe

  1. Escolha espigas com palha verde e úmida e grãos firmes e brilhantes, que soltam leitinho quando você aperta com a unha. Milho velho é farinhento, deixa a sopa menos doce e mais difícil de deixar lisa.
  2. Para manter o manjericão bem verde, nunca cozinhe as folhas e nunca deixe o creme ferver depois de misturá-lo. O calor prolongado escurece a clorofila e a sopa vira um verde-oliva sem graça.
  3. Se quiser um verde ainda mais intenso, escalde as folhas por 10 segundos em água fervente, mergulhe em água com gelo, esprema bem e só então bata com a concha de sopa. Esse choque térmico fixa a cor.
  4. Coar é o que garante a textura de seda. Se você tem pouco tempo, coe apenas a metade da sopa e misture com a outra metade só batida: fica um meio-termo cremoso e rústico.
  5. Quando o creme engrossar demais na geladeira ou no descanso, afine com caldo quente ou leite, uma colher de sopa por vez, para não perder o sabor.
  6. Acerte o sal só no final. O caldo do tablete e o cozimento reduzem o líquido, e o sal que parecia certo no começo pode ficar exagerado depois.
  7. Não jogue fora o leitinho do sabugo. Ele engrossa e dá doçura natural, o que reduz a necessidade de creme de leite e deixa a sopa mais leve.

Como guardar

  • Guarde a sopa pronta em pote fechado na geladeira por até 3 dias. O manjericão vai perder um pouco da cor vibrante, mas o sabor continua ótimo.
  • Para congelar, prefira a sopa sem o leite, o creme de leite e o manjericão, em porções individuais, por até 2 meses. Descongele na geladeira, aqueça, junte os laticínios e bata o manjericão fresco na hora.
  • Reaqueça em panela em fogo baixo, mexendo sempre, até ficar bem quente, sem deixar ferver. Se engrossar, junte um pouco de leite ou de caldo para devolver a textura.
  • Guarde o milho dourado e as torradinhas separados e em potes bem fechados, para que fiquem crocantes e não amoleçam dentro do creme.
  • O caldo de sabugo sozinho pode ser congelado em potinhos por até 3 meses e serve de base para risotos, arroz e outras sopas.

Sugestões para servir

Este creme já é elegante sozinho, mas alguns acompanhamentos transformam a sopa em uma refeição completa e charmosa.

  • Em canecas quentinhas, com pãezinhos de queijo, para uma noite de Festa Junina em casa.
  • Com torradas de pão italiano esfregadas com alho e regadas com azeite, para molhar na sopa.
  • Com lascas de parmesão e uma boa pitada de pimenta-do-reino moída na hora por cima.
  • Como entrada em pequenos copos ou xícaras de cafezinho, antes de um prato principal de frango ou peixe.
  • Com uma salada de folhas, tomate cereja e queijo minas frescal ao lado, para um jantar leve e completo.
Outra foto de creme de Milho Verde com Manjericão

Perguntas frequentes

Posso fazer com milho de lata ou congelado?

Pode, e o resultado fica ótimo. Use 700 g de milho congelado ou 3 latas de 170 g escorridas e enxaguadas para tirar o gosto da salmoura. Como não há sabugos, faça o caldo apenas com água e o tablete de caldo de legumes, e cozinhe o milho por cerca de 10 minutos, até ficar bem macio.

Como fazer o creme ficar liso, sem casquinha?

São três cuidados: cozinhar o milho até ficar bem macio, bater por pelo menos 2 minutos em velocidade alta e coar em peneira fina apertando com uma concha. A casca do grão é a grande responsável pela textura granulada, e a peneira segura tudo o que o liquidificador não conseguiu triturar.

Por que o manjericão escureceu na minha sopa?

Quase sempre é por calor. O manjericão cozido por muito tempo ou aquecido de novo depois de misturado perde a cor e vira verde-acinzentado. Bata as folhas com uma concha de sopa só no final, com o fogo desligado, e sirva logo. Escaldar as folhas por 10 segundos antes ajuda a segurar o tom.

Dá para fazer sem creme de leite?

Dá sim. A batata e o próprio milho já deixam a sopa cremosa. Substitua o creme de leite por mais 1/2 xícara de leite, ou por leite de coco, e finalize com um fio bom de azeite. O creme fica um pouco mais leve, mas continua sedoso e delicado.

Qual a diferença entre esta sopa e o creme de milho de forno?

O creme de milho de forno é um acompanhamento espesso, feito com milho, leite e amido, que vai à mesa em refratário. Aqui é uma sopa-creme fluida, com caldo de sabugo, batata e manjericão, servida em prato fundo ou caneca com colher, pensada como entrada ou jantar leve.

Mãos à obra!

Agora é só separar as espigas, chamar quem estiver por perto para ajudar a debulhar e deixar o cheirinho doce de milho tomar a cozinha. Este creme de milho verde com manjericão mostra que dá para transformar um ingrediente simples em uma sopa de sabor profundo, e ainda aproveitar cada pedacinho da espiga. Sirva bem quente, com uma torradinha crocante, e aproveite cada colherada com calma.

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